
- Segunda- Feira, 9 Novembro de 2009 - 20 Horas Campo do Aldão
- Quinta - Feira, 12 Novembro de 2009 - 20 Horas Campo do Aldão
- Sábado Atlético x S. Lourenço 14 Novembro de 2009 - 15.30 Horas Campo do Aldão
O mundo moderno criou conhecimentos, normas, técnicas e discursos que são operadores e legitimadores do controle do corpo. Muitos destes conhecimentos encontram-se relacionados ao mundo do Desporto. Este se configura como uma das esferas das sociedades contemporâneas mais importantes de organização da corporeidade.
O Futebol é um dos mais fortes vetores que potencializa o domínio do corpo. As identidades sociais modernas se constroem em torno do corpo, sendo muito presente o princípio do rendimento. Vivemos numa sociedade Desportivizada no sentido de busca pelo aperfeiçoamento do corpo. Os Ginásios são exemplos ilustrativos disso.
O treino de Futebol é um dos aspectos mais relevantes do desporto moderno de competição. As metodologias e os princípios de treino são sustentados por conhecimentos científicos, positividades e dispositivos contendo elementos que buscam melhorar o desempenho desportivo, sendo que uma das exigências/critérios é exatamente colocar o corpo sob um perfeito controle. É necessário operacionalizar o corpo, tornar possível alcançar elevada performance desportiva. No treino de Futebol, o corpo aparece como um objeto passível de manipulação, adestramento e operacionalizável, comparável a uma máquina. O corpo pode ser colocado em funcionamento, para isso recebe treino especial.
Trata-se de uma consciência mecânica do corpo no Futebol. A teoria do treino desportivo pode assemelhar-se a outras técnicas e outros discursos sobre o corpo, tais como os cuidados com a dieta, estética.
Mas para que tudo isto funcione é preciso uma entrega total dos Atletas, para que dessa forma se consiga tirar o melhor rendimento possível da maquina Humana, nem sempre os Jogadores de Futebol colaboram para que isto se torne uma ciência exacta.
A produção do soldado e a formação do jogador de futebol moderno
A produção social do corpo pode ser analisada à luz da sociologia de Michel Foucault (1987, 2001). A partir da metade do século XVIII surgem novos interesses e conhecimentos sobre o corpo. O soldado passa a ser fabricado, treinado, tornando-se praticamente uma máquina especializada, sobre a qual se exerce controle. A partir deste momento, o soldado deixa de ser um camponês recrutado, sendo um corpo totalmente disciplinado, construído socialmente através de mecanismos disciplinares (positividades) (Foucault, 1987:125).
“[...] o soldado tornou-se algo que se fabrica; de uma massa informe, de um corpo inapto, fez-se a máquina de que se precisa; corrigiram-se aos poucos as posturas; lentamente uma coação calculada percorre cada parte do corpo, se assenhoreia dele, dobra o conjunto, torna-o perpetuamente disponível e se prolonga, em silêncio, no automatismo dos hábitos; em resumo, foi ‘expulso o camponês’ e lhe foi dada a ‘fisionomia de soldado’” (Foucault, 1987:25).
Isto nos permite fazer uma analogia com o jogador de futebol no Brasil. A figura do jogador-operário desaparece com o processo de profissionalização, momento em que se exige mecanismos específicos e um processo de produção do jogador, um corpo útil ao futebol, um profissional. Um exemplo clássico de jogador-operário é Garrincha. Começou sua carreira futebolística no Clube - Sport Club Pau Grande em 1949, time organizado pelos operários da tecelagem Cia. América Fabril de Paul Grande no Rio de Janeiro (Antunes, 1994:109; Castro, 1995). Além de receber o salário como operário, recebia presentes e gratificações como segundo salário. É ilustrativo também o caso de Tesourinha, um dos grandes jogadores do SC Internacional na década de 40. Ao assinar seu primeiro contrato profissional por 200 escudos mensais e mais dois litros de leite e um quilo de carne diariamente, Tesourinha continuou no seu antigo emprego de artífice de armeiro na Briga Militar (Ostermann, 1999:46).
Voltando à analogia da produção do corpo do soldado e do jogador de futebol modernos, pode-se salientar que, em ambos os caso, se trata de um processo de profissionalização, pode ainda ser entendida, à luz do conceito de campo (Bourdieu, 1999 e 1990) como autonomização dos respectivos campos: segurança/policia e desporto/futebolístico.
Na sociedade contemporânea se produz um corpo conforme à necessidade, buscando atingir o máximo de rendimento, tornar o corpo útil. Isso serve para pensar o futebol também. Com o advento do futebol profissional, o jogador deixa de ser o operário-jogador, sendo agora fabricado em escolinhas, nos clubes, disciplinado, alvo de controle, disciplina e poder.
No futebol, a vigilância classifica o atleta, seu ritmo de jogo, rendimento e sua capacidade de suportar os esforços nos treinos. É esta vigilância, essa disciplina que produz o jogador de futebol moderno nos clubes. Isso nos permite entender o futebol como instituição disciplinadora.